terça-feira, 24 de agosto de 2010

Revoada de Urubus


Sabe que urubu também ama?
Se não ama, namora.
Dia destes estávamos na hora da sexta
No estacionamento de um cliente cheio de arvores
Éramos três mulheres
De repente meu telefone tocou e me afastei das duas para atender.
Percebi três urubus voando apressados e pousando em uma das árvores de pinho
As duas começaram a se preocupar quando mais uns quatro vieram de encontro
E disputavam ferrenhamente, uma urubu fêmea. Virou um alvoroço.
Sim, um alvoroço de urubu.
Uma delas se agarrou no tronco de uma árvore e dizia, eu não quero virar comida de urubu.
A outra atarantada assistia a espetaculosa cena do urubu que a essas alturas desceu para o chão e transava ao vivo, sem pudor, ali, na sua frente.
Quando desliguei o telefone, com os olhos estupefatos a que assistia o bacanal de urubus, comentou assustada que não imaginava que urubu transava daquele jeito.
Como assim, indaguei, claro que transa. Faz parte da natureza!
E a outra, imitava com os braços abertos, o excitante movimento do macho, currando a fêmea.
Coisa de maluco. Cena única, inédita, inesquecível
Muito riso de sobremesa na hora da sexta.
Mas uma coisa ficou clara,
Urubu, também ama, e como sabe lutar por amor!

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Boicote


Triste boicote, querer desfeito
Vontade derrotada, desejo sufocado
Pelo próprio “EU”.

Boicote disfarçado
De desculpas esculpidas
Arranjadas, arrumadas, esfarrapadas
Construídas no cotidiano pelo ego da alma
Disfarces físicos para desejos lógicos.

Boicote premeditado, consciente?
Inconsciente?
No íntimo do ser,
Emanações ao universo
Que conspira e contribui
Para o ser ou não ser...

E a pergunta atordoa
Porque não, porque não?
E a resposta ressoa...
Com perguntas sem fim

Porque sim, porque sim?
O que fazer com o sim?
Sentimento de felicidade
Momentânea, Instantânea
Querer para que?

Negar é imperativo
É melhor não querer
Para não esmorecer diante do desejo

Boicote...
Covardia insana!
O desejo continua elástico, flexível, vai e vem
O racional, frio, calculista, impiedoso,
Retrai, impede e consola com o medo ao imaginar
O que fazer depois?
Se desejar muito mais intensamente?
Se quiser constantemente?

Tantas perguntas, uma resposta
Um boicote, do próprio eu
Que não insiste e resiste;
A oportunidade de viver
O sonho, o desejo, o momento
Para realizar e se sentir feliz.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Retalhos de Gente









Palco, holofotes, figurino, cenário, personagens...

Vida, características, gestos, personalidades,
Sentimentos, valores, despeitos, ódios e amores!!!
Atores, atrizes...criadores
Detalhes,olhares, observam,ouvem...
Inventam e criam...
Criam criaturas.

Criaturas!
Quem são?
De onde vieram?
Do ontem, do hoje, do amanhã...

Personagens do dia a dia,
Amam, odeiam, anseiam, vingam-se...
Não importa em que tempo
Se ontem ou hoje,
mas é assim que constroem o amanhã.

Enquanto criador,
Vivifica o personagem
Representa com verdade e intensidade
Retalhos de gente.

A vida é um palco!
Admiramos os personagens
Parecem distantes, lúdicos, estranhos,
mágicos, intocáveis.
Ao mesmo tempo, estranhamente
Como se fosse mágica ou mistério;
parecem conhecidos, íntimos, reais, comuns...

Tão dentro, tão perto
Tão eu, você, nós, todos nós.
Atores nos palcos da vida
Personagens vivos, latentes, verdadeiros.

Tão eu, você, nós
Personagens criadas,resgatadas do cotidiano
Para representar a utopia e realidade
Que se constrói por muitos
Por cada um de nós.

Ator,Criador,
Personagens,
Cotidiano.
Retalhos do dia,
Pedaços de gente.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Troca de Presentes


Presentes,
Pacotes, fitas, surpresas...
Nem grandes , nem pequenos, na medida.
Laços selando conteúdos frágeis, sutis, especiais.
Mimos, carinhos, afeição, doçura, paixão...

Troca, simples troca,
Apenas troca.
Momentos de longa espera
De promessas doces
De beijos loucos,
Desejos cálidos ,
Abraços mudos,
De braços,
Corpos e almas...

Troca, apenas troca,
De presentes mágicos
De doces desejos,
Num breve momento
De ternura sem fim.

Troca, doce troca
De presentes raros
Inesquecível carinho
Discreto,
Infinito,
De desejo sutil.