terça-feira, 2 de junho de 2009

Ler


Ler é uma grande paixão.
É um misto de sentimentos que despertam
À medida que nos embriagamos,
Nas palavras que vão sendo tecidas letra a letra.
Nas linhas e entrelinhas do papel,
Que o escritor tão sabiamente nos envolve.
Amor, paixão, alegria, tristeza, raiva, muitas sensações...

Ler você é outra paixão.
Às vezes magia, às vezes decepção.

Leio teu corpo com minhas mãos
Nos toques que a noite e você me permitem.
E na entrega do seu corpo ao meu,
Rompantes de emoção e cumplicidade,
Que se desnuda na noite calada, na noite muda.
Às vezes molhada pelos pingos da chuva.
Emoção e cumplicidade..., mesmo sabendo,
Que seus beijos e seus carinhos não são meus.

Ler a tua alma é doce ilusão.
Conheço teus olhos e tua emoção,
Leio o que vai nela e muitas vezes, finjo não ler.
Compartilhei tuas lágrimas e te respeitei.
Teu olhar matreiro de quem não sabe mentir
Leio tua alma e tuas emoções em sua retina.

Leio tua boca e tuas palavras;
As vezes doces, as vezes duras, amargas e obscuras;
Traduzo as intenções que não ousas me dizer.
Pensas em não me fazer sofrer, já fazendo,
Por que eu leio, não te esqueças.
Talvez porque oportuno seja me manter por perto, segura,
Enquanto lhe convém.

Leio em tua boca, histórias mirabolantes,
Que contas para me afastar, não me apaixonar, não te amar.
Porque talvez me julgues tão tola,
Quanto às que esteve acostumado a enganar.
Sei que enlouqueces e te aborreces
Quando percebes que a tua verdade é nua e crua.
É desvendada, é percebida....

Não te importes meu querido,
A transparência pode fazer sofrer,
Mas consolida a realidade.

Leio você, em verso e prosa.
Compreendo e busco apenas entender
Porque em nosso livro da vida,
Está escrito em alguns capítulos
Eu e você?

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Homens de Giz



Confusos, errantes...
Combinam e desistem,
Prometem e não cumprem,
Sonham e não realizam.
Não pagam para ver...
Enganam e se Enganam
Permitem-se ser enganados.
Covardes, ingênuos, imaturos,
Inseguros e às vezes até cruéis.

Amam o que traduzem como
politicamente correto,
Só acreditam em si.
Evitam o incerto, o risco, o desconhecido,
Por medo de amar e serem amados.
Medo da entrega e da verdade.
Amam e não admitem.
Desejam e se omitem
Vivem uma vida de ilusões
Promessas e enganos.

Apegam-se ao status
E vivem num amargo mar de lamentos.
Vivem se enganando
A vida passa diante dos seus olhos, das suas almas.
Não se permitem viver.
Julgam-se únicos, superiores, poderosos.
Sabem tudo, fazem tudo e perdem muito.
Dizem-se ousados e não sabem ousar.
Recuam assustados diante dos sonhos,
Que sonham e não conseguem realizar.

Escrevem seus sonhos nas páginas da vida
Com giz...
Porque o giz, facilmente se apaga.
Deixando apenas uma marca indelével
Que rapidamente é encoberta por outras marcas,
Outras sombras, outros sonhos,
Abandonados e desfeitos ao longo do tempo.

Não conseguem viver a paz,
que o branco do pó de giz representa.
Vivem do pó de suas ilusões, crenças e desejos,
Abandonados, feridos e maltratados.
Porque só sabem escrever as páginas da vida
Com giz.
Pobres homens de giz!